Thursday, June 30, 2022

Banca com 11,9 mil milhões de crédito malparado no primeiro trimestre de 2022, caiu 15% num ano


Os bancos tinham, no seu conjunto, um rácio de Non-Performing Loans (crédito malparado) sobre o total da carteira de 3,6% (1,7% líquido de imparidades). Em Março, o total da carteira de crédito em incumprimento somava 11 894 milhões de euros (valor bruto), o que, líquido de imparidades, fixa-se em 5 553 milhões de euros. Estes valores comparam com o valor bruto de 12 148 milhões de crédito NPL em Dezembro de 2021 e 5 772 milhões líquido de imparidades também no fim do ano passado.

Face ao primeiro trimestre de 2021, o stock de NPL do sector bancário caiu 15,2% (era de 14 027 milhões). O rácio de incumprimento de crédito nos empréstimos a particulares era, em Março, de 2,7%. Já o rácio de malparado do crédito a empresas era de 8% no fim do primeiro trimestre. Já o rácio de cobertura por imparidades do total dos NPL era de 53,3% em Março.

O Banco de Portugal detalha que, no 1º trimestre de 2022, “o rácio de empréstimos não produtivos bruto (NPL) diminuiu 0,1 pp, para 3,6%, reflectindo a diminuição dos NPL (-2,1%)” e que “o rácio de NPL líquido de imparidades manteve-se estável em 1,7%”. Por sua vez, o rácio de NPL bruto das empresas diminuiu 0,2 pp, para 8,0%. “Para esta evolução contribuíram, de forma idêntica, o aumento dos empréstimos produtivos e a redução dos NPL”, revela o supervisor da banca.

Nos particulares, o rácio de NPL diminuiu 0,1 pp, para 2,7%, devido, maioritariamente, a uma redução dos NPL, diz o comunicado do Banco de Portugal. “O rácio de cobertura dos NPL por imparidades aumentou 0,8 pp, para 53,3%, reflectindo uma diminuição dos NPL superior à das imparidades acumuladas. Nas sociedades não financeiras [empresas] registou-se um aumento de 0,8 pp, para 54,0%”, segundo refere o BdP.

“Nos particulares, o rácio de cobertura aumentou para 52,6% (+1,5 pp), atingindo 34,1% (+1,4 pp) e 65,8% (+0,9 pp) nos segmentos de habitação e consumo e outros fins, respectivamente”, acrescenta o supervisor bancário. O custo do risco de crédito diminuiu 0,22 pontos percentuais face ao período homólogo, para 0,32%.

O Banco de Portugal revela também que a banca registou uma evolução da rendibilidade e que isso “reflectiu a diminuição das provisões e imparidades e, em menor grau, o aumento da margem financeira”.

A rentabilidade dos capitais próprios (ROE) do sistema bancário registou uma subida significativa ao atingir 8,4% no fim de Março, mais 3,4 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2021. A rentabilidade do activo aumentou para 0,69%, mais 0,28 pontos percentuais em termos homólogos.

Na conta de resultados, destaque para os lucros do agregado do sector que em Março somava 3 069 milhões de euros, muito acima dos 1 996 milhões em Dezembro. Na eficiência, o rácio de cost-to-income diminuiu 0,6 pp face ao período homólogo, situando-se em 52,0%, reflectindo um aumento do produto bancário que superou o dos custos operacionais.

Os dados revelam ainda que, no 1.º trimestre, os rácios de fundos próprios totais e de fundos próprios principais de nível 1 (CET 1) diminuíram 0,5 pontos percentuais e 0,6 pontos percentuais, respectivamente, para 17,5% e 14,9%. Para esta evolução contribuiu a diminuição do capital CET 1, “num quadro de manutenção da exposição total em risco”.

“O ponderador médio de risco diminuiu 0,4 pp, para 43,5%, em resultado do aumento do peso de componentes de menor risco”, segundo o relatório do BdP. Já o rácio de alavancagem diminuiu 0,3 pp face ao trimestre anterior, para 6,7%.

O que nos diz mais o relatório do BdP? Reporta, ao nível da estrutura de balanço no trimestre de 2022, que o activo total aumentou 1,2%. Os empréstimos a clientes e a exposição a títulos de dívida contribuíram para este aumento em 0,41 pp e 0,34 pp, respectivamente.

No que se refere à liquidez, o rácio de transformação de depósitos em crédito diminuiu 1,1 pp, para 80,1%, em resultado de um aumento de 2,1% dos depósitos de clientes, atenuado pelo aumento dos empréstimos a clientes em 0,7%.

“O peso do financiamento obtido junto de bancos centrais diminuiu 0,1 pp, via efeito denominador, passando a representar 9,2% do activo”, refere o Banco de Portugal.

O rácio de cobertura de liquidez (LCR) situou-se em 262%, aumentando 2 pp face a Dezembro de 2021. “Esta evolução deveu-se à diminuição das saídas de liquidez (6,4 pp), contrabalançada pela redução dos activos de elevada liquidez (-4,4 pp)”, conclui a instituição liderada por Mário Centeno.

Porto / Pedras Rubras - Temperatura do ar e precipitação (Junho de 2022)


Porto / Pedras Rubras (Junho de 2022)

Data tmax
(ºC)
tmed
(ºC)
tmin
(ºC)
Precipitação
(mm)
01/06/2022 21,5 18,4 16,3 12,7
02/06/2022 21,7 18,4 15,5 1,6
03/06/2022 23,8 18,3 15,0 2,2
04/06/2022 21,2 17,9 15,4 13,2
05/06/2022 20,4 17,4 14,5 0
06/06/2022 21,6 17,7 13,8 0
07/06/2022 21,6 18,1 13,3 0,4
08/06/2022 20,0 18,2 17,5 4,6
09/06/2022 23,6 19,6 17,3 0
10/06/2022 24,4 20,4 16,5 0
11/06/2022 26,0 20,5 15,3 0
12/06/2022 26,0 20,7 17,1 0
13/06/2022 30,7 23,2 17,4 0
14/06/2022 21,0 18,5 15,2 0
14/05/2022 29,9 20,5 15,0 8,1
16/06/2022 24,5 19,7 16,9 1,2
17/06/2022 23,1 18,3 16,0 0
18/06/2022 21,9 18,2 16,4 0
19/06/2022 20,6 16,7 13,8 0,8
20/06/2022 18,9 15,4 10,6 0
21/06/2022 19,2 16,3 14,4 1,2
22/06/2022 20,1 17,1 14,3 0,8
23/06/2022 19,1 16,3 14,4 4,8
24/06/2022 20,7 17,3 14,4 3,3
25/06/2022 19,5 16,1 12,4 0
26/06/2022 19,3 15,6 11,8 0
27/06/2022 20,4 15,5 9,9 0
28/06/2022 20,9 17,3 12,0 0
29/06/2022 20,2 16,6 13,4 0,3
30/06/2022 20,1 16,9 11,9 0


Temperatura máxima do mês: 30,7 ºC no dia 13
Temperatura mínima do mês: 9,9 ºC no dia 27

Temperatura máxima mais baixa do mês: 18,9 ºC no dia 20
Temperatura mínima mais alta do mês: 17,5 ºC no dia 8

Temperatura média máxima do mês: 23,2 ºC no dia 13
Temperatura média mínima do mês: 15,4 ºC no dia 20

Número de dias brancos (tmax < 19,5 ºC): 4
Número de dias amarelos (19,5 ºC ≤ tmax < 24,5 ºC): 21
Número de dias cor-de-laranja (24,5 ºC ≤ tmax < 29,5 ºC): 3
Número de dias vermelhos (29,5 ºC ≤ tmax < 34,5 ºC): 2

Média das temperaturas máximas (Tmax_mês): 22,1 ºC
Média das temperaturas médias (Tmed_mês): 18,0 ºC
Média das temperaturas mínimas (Tmin_mês): 14,6 ºC



Observa-se que:

  • Tmax_mês = Tmax_1971-2000: 22,1 ºC = 22,1 ºC
  • Tmed_mês > Tmed_1971-2000: 18,0 ºC > 17,7 ºC
  • Tmin_mês > Tmin_1971-2000:  14,6 ºC > 13,3 ºC

 


Dia em que mais choveu: 13,2 mm no dia 4
Número de dias com chuva (dias azuis): 14
Número de dias sem chuva: 16

Maior número de dias de chuva seguidos: 4, nos dias 1-4 e nos dias 21-24
Maior número de dias de chuva seguidos incluindo o mês anterior: 6, de 30-Mai a 4-Jun
Maior número de dias de chuva seguidos incluindo o mês seguinte: não choveu

Maior número de dias sem chuva seguidos: 6, nos dias 9-14
Maior número de dias sem chuva seguidos incluindo o mês anterior: não aplicável, porque choveu
Maior número de dias sem chuva seguidos incluindo o mês seguinte: 3, de 30-Jun a 2-Jul

Precipitação média nos dias de chuva: 3,9 mm
Precipitação acumulada total (Pmês): 54,6 mm > P1971-2000 = 42,9 mm

O alojamento turístico registou 2,5 milhões de hóspedes e 6,5 milhões de dormidas em Maio


O sector do alojamento turístico registou 2,5 milhões de hóspedes e 6,5 milhões de dormidas em Maio, mais, respectivamente, 162,1% e 221,8% do que no mesmo mês de 2021, anunciou esta quinta-feira [30-Jun-2022] o Instituto Nacional de Estatística (INE) em comunicado.

O INE precisa que o número de hóspedes e de dormidas diminuiu 3,2% e 0,7% em Maio face ao mesmo mês de 2019, antes da pandemia. O número de hóspedes e de dormidas tinha registado acréscimos de 426,4% e de 552,1% em Abril deste ano face ao mesmo mês de 2021.

Em Maio, o mercado interno contribuiu com 1,8 milhões de dormidas e os mercados externos totalizaram 4,7 milhões, indica o INE, adiantando que o mercado interno cresceu 11,6% e os mercados externos diminuíram 4,7% face a Maio de 2019.

O INE afirma ainda que, no conjunto dos primeiros cinco meses deste ano, as dormidas aumentaram 355,2% (+128,5% nos residentes e +775,8% nos não residentes). Comparando com o mesmo período de 2019, as dormidas decresceram 9%, como consequência da diminuição das dormidas de não residentes (-14,4%), já que as de residentes cresceram 4,9%.

Em relação ao número de dormidas em Maio, o INE indica que em termos homólogos estas aumentaram 237,5% (-0,9% face a Maio de 2019) na hotelaria (82,9% do total), 200,4% (-4,8%, comparando com Maio de 2019) nos estabelecimentos de alojamento local (13,8% do total) e 70,4% (+30,1% face a Maio de 2019) no turismo no espaço rural e de habitação (quota de 3,3%).

Em relação aos mercados externos, o INE considera que em Maio estes registaram um crescimento significativo. Assim, em Maio, enquanto o mercado interno contribuiu com 1,8 milhões de dormidas, mais 47,7%, os mercados externos predominaram (peso de 72,2%) e totalizaram 4,7 milhões de dormidas, mais 489,5%.

No que toca aos principais mercados emissores, o INE considera que estes registaram evoluções díspares face a Maio de 2019. Assim, a totalidade dos 17 principais mercados emissores registou aumentos expressivos em Maio, tendo representado 88,2% das dormidas de não residentes nos estabelecimentos de alojamento turístico neste mês.

Inflação nos 8,7% em Junho, a mais alta em quase 30 anos


A taxa de inflação continua a subir e deverá ter atingido, em Junho, os 8,7%, o valor mais elevado desde Dezembro de 1992, indica o Instituto Nacional de Estatística. Em Maio fora de 8%.

Os dados são da Estimativa Rápida de Junho do Índice de Preços no Consumidor e mostram que o indicador de inflação subjacente (índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energético) terá registado uma variação 6%, o registo mais elevado desde Maio de 1994. Em Maio fora de 5,6%.

Indica ainda o INE que a taxa de variação homóloga do índice relativo aos produtos energéticos se deverá ter situado nos 31,7%, que compara com os 27,3% do mês anterior. O valor agora atingido é o mais alto desde Agosto de 1984, ou seja, de 38 anos.

Wednesday, June 29, 2022

O PIB da UE cresceu 5,4% em 2021, mas ficou abaixo do valor pré-pandemia


A economia europeia cresceu 5,4% em 2021, de acordo com os dados divulgados pelo Eurostat esta quarta-feira [29-Jun-2022], mas mantém-se abaixo do nível pré-pandémico em 0,8%, com o consumo e o investimento a pesarem na recuperação e mostrarem maior demora em retomar os valores de 2019.

Apesar de ainda sujeita a medidas de confinamento que castigaram a actividade económica, a UE registou um crescimento de 5,4% no ano passado, o que foi, ainda assim, insuficiente para compensar a queda de 5,9% no ano anterior. Este foi o ritmo de variação do PIB mais elevado desde 2017.

O Eurostat explica que o comércio externo até dá sinais de já ter recuperado, com as exportações e importações a ultrapassarem os valores de 2019, mas o mesmo não aconteceu ainda com o consumo e investimento, categorias que se encontram mais atrasadas na retoma.

Olhando para o consumo, este cresceu 3,9% em 2021, mas este crescimento manteve o indicador abaixo do nível pré-pandémico registado em 2019. Na realidade, apenas os gastos públicos registaram aumentos em 2020, crescendo 0,9%, ao passo que, por exemplo, a formação bruta de capital fixo (investimento) recuou 8,1% no primeiro ano de pandemia.

Em 2021, estes componentes do crescimento avançaram 3,8% e 6,7%, respectivamente.

Já olhando para o comércio externo, o Eurostat detalha que as exportações quebraram 8,6% em 2020 e as importações recuaram 8,3%, antes de recuperarem, em 2021, 10,7% e 9,3%, respectivamente.

Taxa de desemprego sobe para 6,1% em Maio face aos 5,9% de Abril


A taxa de desemprego terá sido de 6,1% em Maio, 0,2 pontos percentuais acima de Abril, mas inferior aos 6,9% de Maio de 2021, segundo dados provisórios divulgados esta quarta-feira [29-Jun-2022] pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com as 'Estimativas Mensais de Emprego e Desemprego' do INE, em Maio "a taxa de desemprego situou-se em 6,1%, valor superior ao do mês precedente em 0,2 pontos percentuais e ao de três meses antes em 0,3 pontos percentuais, mas inferior em 0,8 pontos percentuais ao de um ano antes".

Estas estatísticas reviram ainda em alta a taxa de desemprego de Abril, passando do valor provisório de 5,8% para 5,9%, "valor igual ao do mês anterior e ao de três meses antes e inferior em 1,1 pontos percentuais ao de um ano antes".

Em Fevereiro de 2022, a taxa de desemprego tinha atingido o valor mais baixo dos últimos 10 anos, situando-se em 5,8%.

Em Maio de 2022, a população activa (5 160,6 mil) diminuiu 0,5% (26,3 mil pessoas) em relação a Abril, mas aumentou 0,3% quando comparada com a estimativa de Maio de 2021.

Segundo o INE, a diminuição em cadeia da população activa "resultou da redução da população empregada, em 32,7 mil (0,7%), tendo a população desempregada aumentado em 6,4 mil (2,1%)". Já o aumento da população activa (17,9 mil; 1,0%) em relação a maio de 2021 "foi acompanhado por um acréscimo da população empregada (60,8 mil; 1,3%), que mais do que compensou a diminuição da população desempregada (42,9 mil; 12,0%)".

Conforme salienta o INE, "apesar da diminuição observada em Maio de 2022, a população activa mantém-se próxima do máximo dos últimos 10 anos, registado, em Dezembro de 2021 (5 189,9 mil pessoas")".

A população empregada (4 864,5 mil) diminuiu 0,7% em Maio face ao mês anterior e aumentou 1,3% comparativamente ao mês homólogo de 2021, enquanto a população desempregada (314,1 mil) aumentou em relação ao mês anterior (2,1%) e diminuiu relativamente a Maio de 2021 (12,0%).

Quanto à população inactiva (2 499,8 mil), registou em Maio um acréscimo de 1,1% em relação ao mês anterior e um decréscimo de 1,4% em relação a um ano antes.

Em Março, a população inactiva tinha registado o seu valor mais baixo desde Fevereiro de 1998 (2 468,0 mil pessoas).

Os dados do INE indicam ainda que a taxa subutilização de trabalho se situou em 11,5%, mais 0,1 pontos percentuais do que no mês anterior, mas 1,2 pontos percentuais abaixo do mês homólogo de 2021.

Stock de empréstimos à habitação sobe 4,8% e ao consumo cresce 4,9% em Maio


O 'stock' de empréstimos aos particulares para habitação e consumo atingiu 98 700 e 20 100 milhões de euros, respectivamente, em  Maio, mais 4,8% e 4,9% face ao mesmo mês de 2021, informou esta quarta-feira [29-Jun.2022] o Banco de Portugal (BdP).

De acordo com as estatísticas de empréstimos e depósitos bancários de empresas e particulares do banco central, no final de Maio o montante total de empréstimos concedidos para habitação era de 98 700 milhões de euros (mais 4,8%) e o de empréstimos ao consumo somava 20100 milhões de euros (mais 4,9%).

Quanto ao 'stock' de crédito às empresas, no final de Maio o montante total era de 76 700 milhões de euros, mais 2,8% em relação a Maio de 2021.

"Ainda assim - nota o BdP - este crescimento foi inferior ao registado nos meses anteriores, uma tendência que se mantém desde Fevereiro".

O supervisor bancário refere que, em Maio, "esta desaceleração foi mais expressiva nas pequenas e médias empresas e nas empresas do sector do alojamento e restauração".

"Pelo contrário, aceleraram os empréstimos concedidos às micro e grandes empresas e às empresas do sector das actividades imobiliárias", acrescenta.

Quanto aos depósitos, no final de Maio os particulares tinham depositado nos bancos residentes 178 400 milhões de euros, mais 6,8% face a Maio de 2021. Já as empresas tinham 63 400 milhões de euros em depósitos, um aumento homólogo de 11,8%.

O BdP sublinha que a evolução dos empréstimos e dos depósitos é medida pela taxa de variação anual, o que significa que é calculada apenas com base no montante das transacções (concessão e amortização/reembolso de empréstimos e depósitos), desconsiderando outros efeitos (por exemplo, cambiais).

As estatísticas de empréstimos e depósitos bancários serão actualizadas a 27 de Julho.

Tuesday, June 28, 2022

Rendas da habitação continuam a subir. O preço dos novos contratos aumentou 6,4% no primeiro trimestre.


A renda mediana dos 23 934 novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares em Portugal chegou aos 6,16 €/m2 no primeiro trimestre deste ano [de 2022], segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta terça-feira [28-Jun-2022], que apontam para uma subida generalizada das rendas em todo o país.

De acordo com o organismo de estatísticas, em causa está uma subida de 6,4% face ao mesmo período do ano passado; ainda assim, foi o valor mais baixo das taxas de variação homóloga desde segundo trimestre desse ano.

No 1º trimestre, a renda mediana por m2 de novos contratos de arrendamento aumentou em 23 dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes (menos um que no trimestre anterior), com destaque para o Funchal (+17,2 %), Matosinhos (+14,9 %) e Vila Nova de Famalicão (+14,6 %).

Na Área Metropolitana de Lisboa (9,10 €/m2), Algarve (7,12 €/m2 ), Região Autónoma da Madeira (6,98 €/m2 ) e Área Metropolitana do Porto (6,58 €/m2), o valor das rendas situou-se acima do valor nacional, enquanto Trás-os-Montes registou a menor renda mediana por m2 de novos contratos de arrendamento (2,88 €/m2), tal como no trimestre anterior.

Num boletim enviado à imprensa, o INE refere que, no primeiro trimestre deste ano, o número de novos contratos de arrendamento no país foi maior do que o registado no mesmo trimestre do ano passado, quando ascendeu a 19 977 novos contratos, o que corresponde a um crescimento da actividade de arrendamento de 19,8 %.

Segundo o INE, no primeiro trimestre deste ano todas as 25 NUTS III registaram um aumento do número de novos contratos de arrendamento face ao período homólogo e 17 sub-regiões registaram também um aumento face ao trimestre anterior.

“Destacaram-se com evoluções acima de +20 % face ao trimestre anterior: Médio Tejo (+33,3 %), Alto Tâmega (+26,1 %), Região Autónoma da Madeira (+25,9 %) e Ave (+22,5 %). As áreas metropolitanas de Lisboa e Porto concentraram 51% dos novos contratos de arrendamento e registaram uma evolução de +0,8 % e -0,3 %, respectivamente”, é detalhado no mesmo comunicado.

Monday, June 27, 2022

A EDP continua a ser vendida aos chineses: a EDP Renováveis vendeu portfólio eléctrico em Espanha à China Three Gorges


A EDP Renováveis (EDPR) comunicou esta segunda-feira [27-Jun-2022] a venda da participação num portfólio eólico em Espanha à China Three Gorges, principal accionista da eléctrica. A operação ficou concluída por 328 milhões de euros, informa a nota enviada à Comissão do Mercado e Valores Mobiliários (CMVM).

O portfólio representa 181 megawatts MegaWatt (MW), tendo sido alienada 100% da participação da EDP Renováveis no mesmo. Assim, a operação “traduz num Enterprise Value de 1,8 milhões de euros/MW”, pode-se ler no comunicado desta segunda-feira.

“O portfólio engloba doze parques eólicos operacionais que estão sobre o esquema remuneratório regulado de Espanha 20 anos”, reporta a EDP, acrescentando que “a idade média do portfólio é de 12 anos”.

“Com a conclusão desta transacção, a EDPR alcança 2,4 mil milhões de euros de encaixes com rotação de activos, que está inserida no contexto do programa de rotação de activos de 8 mil milhões de euros para 2021-25 anunciado no Capital Markets Day da EDPR, permitindo à EDPR acelerar a criação de valor e reciclar capital para reinvestir em crescimento rentável”, finaliza a comunicação à CMVM.

A China Three Gorges é a maior accionista da EDP com 19%. Actualmente, é a maior “holding” de energias renováveis da China e a maior hidroeléctrica do mundo; com uma capacidade instalada de 75 mil MW, tem mais de 26 mil empregados em todo e uma carteira de activos avaliada em 120 mil milhões de dólares.

Os portugueses são uns mamões: apenas 1% de 2 milhões de desempregados quer ser empreendedor


Dos cerca de dois milhões de pessoas desempregadas em Portugal entre 2005 e 2016, apenas 1,1%, correspondente a 23 530 indivíduos, participaram no Montante Único, um programa público português que permite a qualquer pessoa abrangida pelo subsídio de desemprego receber antecipadamente o valor total dos seus subsídios (até 47 791 euros) para iniciar um negócio, revela um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, apresentado ao público esta segunda-feira [27-Jun-2022].

No que respeita às empresas criadas através deste incentivo, cujo requisito único é que os indivíduos não aufiram qualquer tipo de rendimentos de trabalho para além dos decorrentes do seu negócio, durante um período de três anos, revelam-se, em média, mais pequenas, apresentando "valores de vendas, activos totais e capitais próprios mais baixos do que as restantes", aponta a análise.

As conclusões da investigação, coordenada por Miguel Ferreira, docente da Nova SBE, e com co-autoria de Marta Lopes, Francisco Queiró e Hugo Reis, mostram que os participantes do Montante Único são pessoas "mais velhas e qualificadas", com uma média de salário pré-desemprego na casa dos 1170 euros brutos.

Com o capital já do seu lado, é em sectores de actividade como "comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos", "actividades de consultoria, científicas, técnicas e similares", "indústrias transformadoras" e "alojamento, restauração e similares" que os empreendedores portugueses tendem a apostar.

Quanto ao regime jurídico adoptado no momento de criar um negócio, os dados apontam que é quatro vezes mais provável os empreendedores constituírem uma sociedade do que uma empresa em nome individual. Segundo os autores, esta é uma realidade "particularmente relevante em Portugal, uma vez que as sociedades, embora representem apenas 32% das empresas em Portugal, são responsáveis por 76% do emprego e 96% das vendas".

Com a dificuldade no acesso ao capital a constituir um dos principais obstáculos para aqueles que desejam iniciar um negócio, soluções como o Montante Único representam uma oportunidade para criar uma empresa, aumentando "a probabilidade de um indivíduo desempregado se tornar um empreendedor", indica o estudo, que avalia os impactos das restrições ao financiamento no empreendedorismo nacional.

Ainda que factores como a riqueza pessoal, competências, valor do património imobiliário e motivação individual estejam directamente relacionados com a criação de novos negócios, os autores sustentam que o capital é o ponto-chave para a sua concretização, com "mil euros adicionais de financiamento" a revelarem fazer diferença, aumentando "em 11% a hipótese de um indivíduo se tornar empresário em Portugal".

Quanto a esta probabilidade, "os indivíduos com salários mais elevados pré-desemprego têm maior probabilidade de empreenderem, uma vez aliviadas as restrições de financiamento, do que os indivíduos com salários mais reduzidos", revelam os resultados da investigação.

A Mimobox, empresa que oferece um serviço de entrega ao domicílio de caixas surpresa com produtos para grávidas e bebés, e a ReadAction, com actividade na área da comunicação, são dois exemplos de êxito criados através do programa público, que sustentam que o alívio das limitações ao financiamento dos desempregados pode originar negócios de sucesso e, consequentemente, produzir um efeito positivo na "quantidade e qualidade do empreendedorismo em Portugal", concluem os autores.

Friday, June 24, 2022

Famílias portuguesas perdem acesso à compra de casa, mas mesmo assim os preços devem subir, prevê o Banco de Portugal


A inflação e a subida dos juros vão travar o acesso das famílias portuguesas à compra de casa, mas isso não leva o Banco de Portugal a achar que uma “correção” dos preços possa estar iminente. O interesse por parte de estrangeiros – que o supervisor admite que possa aumentar ainda mais –, o investimento em imobiliário como protecção contra a inflação e o aumento dos custos de construção devem fazer com que o mercado "permaneça atractivo". Ou seja, os preços podem continuar a subir – o Banco de Portugal só não quer que isso aconteça à conta do aumento do crédito bancário, caso contrário pode materializar-se um dos vários riscos que o supervisor vê para a estabilidade financeira (que incluem, ainda, mais quedas nas bolsas, os riscos associados aos criptoativos e, ainda, as moratórias).


Desde Junho de 2018 que o Banco de Portugal tem alertado para “sinais de sobrevalorização” nos preços das casas, mas nos últimos anos os preços continuaram a subir na casa dos dois dígitos. E, mesmo que neste momento se possa antecipar “uma redução da procura” por parte das famílias portuguesas, a expectativa do supervisor é que, de um modo geral, tão cedo os preços não irão baixar.

Mais de dois terços dos portugueses dizem que já começaram a poupar na alimentação por causa de subida dos preços


     Mais de dois terços (68%) dos inquiridos numa sondagem Aximage feita para Jornal de Notícias, Diário de Notícias e TSF dizem que já tiveram de alterar os seus padrões de consumo alimentar por causa da actual crise, expressa por um aumento de inflação de 8%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

De entre este total, 40% responderam que começaram a trocar produtos por outros mais baratos, sendo que 34% admitiram que já tiveram de reduzir o consumo e 25% disseram que riscaram mesmo alguns itens da habitual lista de compras. “Alguns produtos agora só compro quando estão com uma boa promoção”, disse um dos 804 entrevistados, que também reconheceram mudanças no que diz respeito ao consumo de combustível.

Entre cortes em passeios de fim de semana e trocas de carro por transportes públicos, 60% dos inquiridos admitiram que já tiveram de adaptar os seus hábitos graças ao aumento dos preços de gasolina e gasóleo. De entre o total de entrevistas conduzidas, só 3% das pessoas disseram não ter ainda dado conta de qualquer aumento de preços, seja em que sector for.

Ainda assim, 67% dos inquiridos defenderam que o Governo deve intervir para limitar a subida de bens essenciais e energia. Só 14% consideraram positiva a resposta do Executivo de António Costa à crise. À mesma pergunta, 46% dos inquiridos responderam de forma contrária — 23% disseram que esta gestão tem sido “má”; outros tantos preferiram superlativar e consideraram a atuação do Governo “muito má”.

Thursday, June 23, 2022

Quase 700 mil estrangeiros vivem em Portugal e 30% são brasileiros


A população estrangeira residente em Portugal aumentou em 2021 pelo sexto ano consecutivo, totalizando 698 887 cidadãos, mantendo-se a comunidade brasileira como a mais representativa e a que mais cresceu, revelou hoje o SEF.

“Em 2021 verificou-se, assim, pelo sexto ano consecutivo, um acréscimo da população estrangeira residente, com um aumento de 5,6% face a 2020, totalizando 698.887 cidadãos estrangeiros titulares de autorização de residência, valor mais elevado registado pelo SEF, desde o seu surgimento em 1976”, refere o Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo (RIFA), a que agência Lusa teve acesso.

O RIFA ressalva que o contexto de pandemia de covid-19 provocou “uma desaceleração no aumento da população estrangeira residente, em linha com o ocorrido em 2020”, apesar de se manter o crescimento da população estrangeira residente no período compreendido entre 2015 e 2021 (mais 310.156).

Segundo o SEF, os brasileiros mantêm-se como a principal comunidade estrangeira residente no país, representando no ano passado 29,8% do total, o valor mais elevado desde 2012.

O documento avança que, no final do ano passado, viviam em Portugal 204 694 brasileiros, sendo também a comunidade oriunda do Brasil a que mais cresceu em 2021 (11,3%) face a 2020.

O RIFA precisa que o Reino Unido mantém a posição em relação a 2020 apesar do decréscimo de 9,3%, sendo a segunda nacionalidade estrangeira mais representativa em Portugal.

No final de 2020, viviam em Portugal 204 694 brasileiros, seguido dos cidadãos do Reino Unido (41 932), de Cabo Verde (34 093), Itália (30 819), Índia (30 251), Roménia (28 911), Ucrânia (27 195), França (26 719), Angola (25 802) e China (22 782).

“O crescimento sustentado dos cidadãos estrangeiros, oriundos dos países da União Europeia, confirmam o particular impacto dos factores de atractividade já apontados em anos anteriores, como a percepção de Portugal como país seguro, bem como as vantagens fiscais decorrentes do regime para o residente não habitual”, realça.

O RIFA destaca também o crescimento dos naturais da Índia que sobe quatro posições, ocupando agora o quinto lugar, ultrapassando a França, China, Ucrânia e Roménia, bem como da Itália que está na quarta posição, “confirmando o crescimento que se tem verificado nos últimos anos”.

Os imigrantes residem sobretudo no litoral, sendo que 68% estão registados nos distritos de Lisboa, Faro e Setúbal, totalizando 466 779 cidadãos residentes, enquanto em 2019 eram 450 074.

O RIFA dá conta que se verificou um aumento de estrangeiros a viver no distrito de Viana do Castelo e, por outro lado, registou-se uma descida em Bragança, frisando que, em termos de áreas de residência, ocorreram subidas em Lisboa, Vale do Tejo e Alentejo com um aumento de 9,8% em consequência das subidas de Setúbal, Beja e Santarém.

No que diz respeito ao fluxo imigratório, o SEF indica que se mantêm a tendência de descida de novos títulos emitidos (111 311), com uma diminuição de 5,8% face a 2020, “confirmando o impacto da pandemia de covid-19, já observável em 2020”.

Também a maior parte dos novos títulos foram atribuídos a brasileiros (39 456), seguindo-se os indianos (7 407) e Itália (5 302).

“Os motivos mais relevantes na concessão de novos títulos de residência foram a actividade profissional (35 886), o reagrupamento familiar (20 718) e o estudo (10 919)”, lê-se no RIFA, salientando “a forte preponderância da actividade profissional nas nacionalidades oriundas da Ásia”.

Tuesday, June 21, 2022

Preços das casas sobem a ritmo recorde: 12,9%.
Estrangeiros fizeram 10% do valor das transacções


Os preços das casas em Portugal, calculados pelo Índice de Preços na Habitação do INE, subiram 12,9% no primeiro trimestre, em termos homólogos, acelerando 1,3 pontos percentuais em comparação com o trimestre anterior. É o aumento de preços “mais expressivo” desde que este indicador foi criado, em 2010.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) adianta que 5,9% do número total de transacções (2 556 habitações) envolveram compradores com um domicílio fiscal fora do território nacional, ou seja, maioritariamente cidadão estrangeiros – uma percentagem que sobe para os 10,4% se se considerar o valor transaccionado.
 


Entre Janeiro e Março de 2022, transacionaram-se 43 544 habitações, mais 26% do que no primeiro trimestre de 2021, que foi muito afectado pelo confinamento pandémico. A diferença foi ainda maior quando se fala no valor das transacções: “no trimestre de referência, o valor das habitações transaccionadas foi aproximadamente 8,1 mil milhões de euros, mais 44,4% face a idêntico período de 2021”, diz o INE.

Em relação ao trimestre anterior, o Índice de Preços na Habitação também acelerou, já que teve um aumento de 3,8% (que compara com o aumento trimestral de 2,7% no trimestre anterior). Os preços das casas usadas aumentaram 4,4%, mais do que a subida do preços dos alojamentos novos (1,8%).


Menos casas vendidas na AML, mais uma vez. Algarve a subir

Neste primeiro trimestre foram transacionadas 13 464 habitações na Área Metropolitana de Lisboa (30,9% do número total). “Pelo segundo trimestre consecutivo, esta região registou uma redução, relativamente a período idêntico do ano anterior, do respetivo peso relativo, (-0,9 pontos percentuais), diz o INE.

Também as regiões do Norte e Centro, com respetivamente 12 371 e 8 721 transacções, perderam peso nas quotas regionais, ao passo que no Algarve as transacções de habitações totalizaram 4 129 unidades, ou seja, 9,5% do total. “Esta foi a região que mais cresceu em termos de peso relativo regional, mais 1,5 pontos percentuais”, segundo os dados.

Em nota de análise, a equipa de economistas do BPI salienta que “a valorização média dos preços da habitação foi de 9,4% em 2021 (8,8% em 2020) e o dado do primeiro trimestre faz situar a fasquia para 2022 num nível alto, de valorização consistente”.

“As principais nuvens no horizonte deste cenário podem advir da persistência inflacionista e do aumento do custo do financiamento, decorrente do aumento das taxas de referência na segunda metade do ano. Antecipamos por isso, desaceleração do mercado, a prazo“, afirma o BPI.