Thursday, December 14, 2023

Inflação em Novembro 2023: 1,5%


«O INE reviu em baixa a inflação de Novembro: os dados finais apontam para uma variação homóloga de 1,5%. É o valor mais baixo desde Setembro de 2021. São menos 0,6 pontos percentuais face ao mês anterior [Outubro de 2023].

O abrandamento dos preços dos alimentos ajuda a explicar a desaceleração homóloga. O INE indica que a desaceleração é explicada por um efeito base associado ao aumento mensal dos preços dos alimentos, que subiram menos no último mês (0,4%) do que em Novembro do ano passado (1,7%). A “análise do comportamento dos preços ao longo de 2023, incluindo o efeito da eliminação do IVA em diversos bens alimentares essenciais, e em particular das taxas de variação homóloga, deve ter em conta o impacto daqueles efeitos” base, salienta o INE.

O indicador da inflação subjacente (que exclui produtos alimentares não transformados e energéticos, como os combustíveis) também desacelerou, de 3,5% em Outubro para 2,9%. Isoladamente, os produtos energéticos voltaram a assistir a uma redução do índice, para -12,4%, mais do que os 12,1% do mês anterior. Já o índice dos produtos alimentares não transformados desacelerou de 4% para 3,5%.

A variação mensal do índice de preços no consumidor foi de -0,3% (tinha sido de -0,2% em Outubro e 0,3% em Novembro do ano passado). E a variação média dos últimos 12 meses diminuiu para 5% (tinha sido 5,7% em Outubro).

Já o índice harmonizado de preços no consumidor, um indicador que é usado para comparações internacionais, fixou-se em 2,2%, menos um ponto percentual face ao mês anterior [Outubro de 2023] e inferior em 0,2 pontos percentuais face ao estimado pelo Eurostat para a área do Euro. Sem os alimentos e a energia, este índice sobe para 3,6% (4,8% em Outubro), também abaixo da zona euro, de 4,2%.

Por classe de despesa, o INE destaca as diminuições das taxas de variação homóloga dos bens alimentares e bebidas não alcoólicas (para 3%), das bebidas alcoólicas e tabaco (para 2,4%) e dos acessórios, equipamento doméstico e manutenção corrente da habitação (para 1,2%). Em sentido inverso, salienta o aumento na classe das comunicações (4,8% face aos 4,1% do mês anterior).

Apesar de abrandamento em várias rubricas, o INE sublinha que “o nível médio dos preços tem-se mantido superior ao do ano passado, registando-se em Novembro de 2023 um nível médio de preços superior em 13,3% ao de 2021″. “Para que o nível de preços regressasse a valores comparáveis aos de 2021, teria de se verificar um período com taxas de variação homóloga negativas”, acrescenta.

O INE salienta que os preços de 2023 ainda estão muito influenciados pelas subidas de 2022, mas admite que esse efeito venha a diminuir, à medida que os preços estabilizarem. “Em consequência, o comportamento dos preços em 2022 tem tido uma influência relevante na evolução da inflação em 2023. O prolongamento da série homóloga de índices permite antecipar uma redução do impacto associado ao efeito de base, consequência da relativa estabilização registada no final de 2022 (variação acumulada nula entre Outubro e Dezembro)”, lê-se.


Inflação usada para calcular pensões não mexe

A revisão em baixa da inflação homóloga não interfere com a estima da inflação usada para o cálculo da actualização das pensões: a inflação, sem habitação, dos últimos 12 meses mantém-se nos 5%, o que significa que as pensões até 2 IAS (1.018,5 euros) vão aumentar 6%, entre esse valor e 6 IAS (3.055,5 euros) vão crescer 5,65% e acima desse valor e até 12 IAS  (6.111,1 euros) vão avançar 5%.

Estes números já foram confirmados pelo Governo no final de Novembro e deverão começar a ser pagos em Janeiro do próximo ano.

Em Outubro, quando o Governo fez a proposta de Orçamento do Estado, inscreveu uma previsão de aumentos superior, entre 5,2% e 6,2%, porque estimava que a inflação fosse maior do que o previsto. Mas acabaria por rever em baixa os cálculos com base nos dados do INE (que são os que constam na lei), o que lhe dará uma “poupança” (face ao inicialmente previsto) superior a 65 milhões de euros, segundo calculou o economista Eugénio Rosa.

Monday, November 13, 2023

Inflação em Outubro de 2023: 2,1%


«A taxa de inflação abrandou para 2,1% em Outubro. O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou esta segunda-feira [13-Nov-2023] o valor. A inflação ficou, assim, 1,5 pontos abaixo da taxa verificada no mês anterior [Set-2023], quando estava nos 3,54%.

De acordo com o destaque do INE, a inflação subjacente, que exclui produtos alimentares não transformados e energéticos, registou uma variação homóloga de 3,5%, menos 0,6 pontos face a Setembro. O índice relativo à energia diminuiu para -12,1%, valor que compara com -4,1% do mês anterior, e o índice referente aos produtos alimentares não transformados desacelerou para 4,0%, que compara com os 6,0% de Setembro.

O maior contributo para o abrandamento da inflação foi a habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, o que se explica com “o efeito de base associado aos aumentos mensais de preços registados em Outubro de 2022” na alimentação, de 2,1%, e nos produtos energéticos, de 6,7%, com destaque para o gás natural (77,4%).

A variação mensal do Índice de Preços no Consumidor foi -0,2%, face a 1,1% no mês anterior e 1,2% em Outubro de 2022. A variação média dos últimos doze meses diminuiu para 5,7%, após ter registado 6,3% em Setembro. Na variação mensal, o INE destaca o azeite, que aumentou 11,69%. Ainda assim, a classe com maior contributo positivo para a taxa de variação mensal do índice total foi o vestuário e calçado, com uma variação de 2,1%, que compara com 24,6% do mês anterior e 2,4% de Outubro de 2022.

O maior contributo negativo esteve nos transportes, com uma variação de -0,8%, face a -0,4% em Setembro e 1,4% em Outubro de 2022.

Os dados da inflação de Outubro são a referência para a actualização das taxas de portagens em 2024, que será de 2,1%. A variação média resulta da aplicação do índice de preços ao consumidor sem a habitação que foi de 2%, ao qual acresce 0,1 pontos percentuais que as concessionárias podem somar para compensar a perda sofrida com o travão à subida de portagens aplicado este ano.»

Friday, September 29, 2023

Inflação em Setembro de 2023: 3,6%


«Em Setembro, a taxa de inflação homóloga voltou a desacelerar, ainda que de forma muito ligeira, para 3,6%, de acordo com a estimativa rápida publicada esta sexta-feira [29-Set-2023] pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A inflação terá voltado a abrandar, depois de um aumento em Agosto, que colocou o indicador nos 3,7%. O abrandamento em Setembro terá sido, assim, de 0,1 pontos percentuais. Em Agosto, o INE sublinhou o peso da subida do preço dos combustíveis para a inflação, mas o destaque de Setembro não traz qualquer referência a esta ou outras causas. 

O indicador de inflação subjacente, que exclui produtos alimentares não transformados e energéticos, também terá abrandado, de 4,5% [em Agosto] para 4,1% em Setembro. O índice relativo aos produtos energéticos mantém-se negativo, mas recuou menos face a Agosto, tendo-se fixado em -4,1%, que comparam com -6,5% do mês anterior.

Por sua vez, o índice relativo aos produtos alimentares não transformados terá desacelerado para 6,0%, quando em Agosto se situou em 6,4%.

A variação mensal do Índice de Preços no Consumidor PC terá sido de 1,1%, após ter ficado nos 0,3% em Agosto e em 1,2% em Setembro de 2022. Nos últimos 12 meses, a variação média dos preços foi de 6,3%.

O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), que serve para as comparações europeias, terá registado uma variação homóloga de 4,9%, refere o INE, um abrandamento face aos 5,3% do mês precedente.

Os dados definitivos da inflação de Setembro serão publicados no próximo dia 12 de Outubro.»

Tuesday, September 12, 2023

Inflação em Agosto de 2023: 3,7%


«O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou a aceleração da inflação, em Agosto, para os 3,7%, depois de nove abrandamentos consecutivos. Os preços dos combustíveis são a principal explicação para este aumento.

“Esta aceleração é essencialmente explicada pelo comportamento dos preços dos Combustíveis, que contribuíram em 0,7 p.p. [pontos percentuais] para o aumento da variação homóloga do IPC [índice de preços no consumidor]”, refere o instituto. O índice referente aos produtos alimentares não transformados desacelerou para 6,4%.

A variação do índice dos produtos energéticos foi negativa em 6,5%, mas menos do que em Julho (-14,9%). Já a inflação subjacente (sem produtos alimentares não transformados e energéticos) registou uma variação de 4,5%, um abrandamento face aos 4,7% em Julho.

Por despesa, o INE destaca como os maiores contributos para a variação homóloga da inflação os “bens alimentares e bebidas não alcoólicas”, bem como a rubrica dos “restaurantes e hotéis”. Em sentido contrário, destacam-se as contribuições negativas do “vestuário e calçado” e da “habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis”.

Em Julho, a inflação homóloga estava nos 3,1%. Já a variação mensal do índice de preços no consumidor foi 0,3% (-0,4% no mês precedente e -0,3% em Agosto de 2022). Por sua vez, o índice harmonizado de preços no consumidor, que serve para comparações a nível europeu e internacional, aumentou para 5,3%, mais um ponto percentual do que no mês anterior.

O nível médio de preços “tem-se mantido superior ao do ano passado” e, em Agosto, este nível era 12,6% superior face a 2021. “Para que o nível de preços regressasse a valores comparáveis aos de 2021, teria de se verificar um período com taxas de variação homóloga negativas”, indica o INE.

Depois de um ano de 2022 com taxas de inflação muito elevadas, e “sem um novo choque que implique aumentos significativos de preços”, o INE antecipa “um abrandamento na redução da taxa de variação homóloga” da inflação, “consequência da relativa estabilização registada no segundo semestre de 2022”.

Especificamente sobre os produtos energéticos, o INE calcula que os preços em Agosto tenham ficado 17,5% acima do nível médio de 2021 e 6,5% abaixo do que se verificou em Agosto de 2022. Comparando com o mês anterior, registou-se um aumento de preços de 4,4% nestes produtos, “amplificado pelo efeito de base (variação de -4,9% em Agosto de 2022) e mantendo a trajectória de aumento da taxa homóloga registada iniciada no mês anterior”.


Rendas podem subir 6,94% sem travão do Governo

O INE também confirma que a variação média dos últimos doze meses sem habitação, que serve de referência para a actualização de rendas no próximo ano, se fixou em 6,9% (6,94%) em Agosto. Este seria o tecto de actualização para 2024 sem nenhum travão às rendas imposto pelo Governo, como aconteceu este ano. Há duas semanas, quando o INE lançou a estimativa provisória para o indicador, a ministra da Habitação, Marina Gonçalves, disse que o Governo iria “avaliar” eventuais medidas.

“É preciso avaliar as várias possibilidades que temos em cima da mesa e, depois disso, podemos dizer se avançamos com alguma medida ou não”, afirmou, questionada pelos jornalistas, acrescentando que uma decisão deveria chegar “o mais breve possível”.

O valor dos 6,94% é o que serve de referência às actualizações das rendas em 2024 cujo contrato esteja dentro do Novo Regime de Arrendamento Urbano (NRAU), e quando os contratos não estabelecem cláusulas diferentes. Sem um travão do Governo, uma renda de 700 euros poderia subir 48,58 euros.»

Wednesday, August 9, 2023

Inflação em Julho de 2023: 3,1%


«A taxa de inflação homóloga abrandou para 3,1% em Julho. A confirmação foi dada esta quinta-feira [10-Ago-2023] pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e corrobora o valor apontado na estimativa rápida. Esta é, assim, a nona descida consecutiva do indicador, que recuou três pontos face a Junho, quando se situou nos 3,4%.

De acordo com o INE, a “desaceleração “está parcialmente associada a um decréscimo de preços verificado na classe dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas”.

O INE explica que o abrandamento é afectado pelo chamado “efeito de base”, uma vez que em 2022 as subidas dos preços foram muito acentuadas. “Deste modo, a análise do comportamento dos preços ao longo de 2023, incluindo o efeito da eliminação do IVA em diversos bens alimentares essenciais, e em particular das taxas de variação homóloga, deve ter em conta o impacto daqueles efeitos”, alerta o INE.

É por isso que, apesar do abrandamento da inflação, “o nível médio dos preços tem-se mantido superior ao do ano passado, registando em Julho de 2023 um valor 12,2% superior ao nível médio de preços de 2021”, refere a análise. “Para que o nível de preços regressasse a valores comparáveis aos de 2021, teria de se verificar um período com taxas de variação homóloga negativas”.

Nesse sentido, “o comportamento dos preços em 2022 terá influência relevante na evolução da inflação em 2023” e “sem um novo choque que implique aumentos significativos de preços” é expectável que a redução da taxa de variação homóloga da inflação venha a abrandar.

Nos alimentos, a taxa de variação homóloga abrandou em Maio em praticamente todas as categorias, com algumas excepções. Uma delas são os óleos e gorduras, “em que a redução de preços em Julho de 2022”, de -3,1%, “resultou num efeito de base relevante, amplificado pela variação positiva registada neste mês”, de 0,2%. O INE ressalva ainda que em Maio cerca de 40% dos produtos considerados nesta classe de produtos passaram a estar isentos de IVA, “explicando em parte a redução de preços registada nesse mês”.

 


Já a inflação subjacente, que exclui produtos alimentares não transformados e energéticos, está abaixo dos 5%, tendo ficado nos 4,7% em Julho. Nos produtos energéticos, depois dos aumentos expressivos do ano passado, registam-se agora valores negativos, com o índice a fixar-se em -14,9%, ainda assim um recuo menor face aos 18,8% do mês anterior.

Por sua vez, o índice que mede a evolução do preço dos produtos alimentares não transformados desacelerou para 6,8%. Tinha ficado nos 8,5% no mês anterior.

O Índice de Preços no Consumidor teve uma variação mensal negativa, tendo abrandado de 0,3% para -0,4%. Para a taxa de variação mensal, o maior contributo foi do vestuário e calçado, com uma variação de -13%, ” em consequência do início do habitual período de descontos de fim de colecção”, explica o INE. A variação média dos preços nos últimos doze meses foi 7,3%.

O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), que serve para comparações europeias, registou uma quebra de quatro pontos, para os 4,3%, um valor inferior em um ponto ao estimado pelo Eurostat para a zona euro Euro. Em Junho, ressalva o INE, a diferença foi 0,8 pontos.»