Mas não foi só a retirada da taxa zero de IVA de um cabaz de 46 produtos, que vigorava desde Abril do ano passado, que teve impacto na subida dos preços. Também a subida do preço da electricidade pesou no indicador. A variação do índice relativo aos produtos energéticos aumentou para 0,2%, quando no mês anterior tinha sido de -10,5%.
Já o indicador de inflação subjacente, que exclui produtos alimentares não transformados e energéticos, teve uma variação de 2,4%, que compara com os 2,6% de Dezembro.
A variação mensal do IPC foi nula, o que compara com -0,4% de Dezembro e com -0,8% em Janeiro de 2023. A variação média dos últimos doze meses diminuiu para 3,8%. Em Dezembro foi de 4,3%.
O Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português, que conta para as comparações europeias, acelerou para 2,5%, mais 0,6 pontos do que no mês anterior e 0,3 pontos abaixo do previsto pelo Eurostat para a zona euro.
O INE faz uma análise detalhada sobre o impacto do fim do IVA zero, medida tomada pelo Governo para fazer abrandar a subida do preço dos alimentos. Foram feitas simulações, aplicando as taxas actuais de IVA aos preços registados em Dezembro pelos produtos abrangidos. E o resultado foi uma subida de 0,7 pontos percentuais.
Olhando apenas para o bens alimentares e bebidas não alcoólicas, o impacto foi mais acentuado, de 3,3 pontos percentuais, indica o INE. “A variação mensal apurada em Janeiro para esta classe foi 2,8%” e “a medida abrange aproximadamente 40% dos produtos considerados nesta classe”, refere a nota.
O INE também apurou a variação de preços considerando o conjunto dos produtos abrangidos pela medida. Entre Dezembro e Janeiro, tiveram um aumento de 4,2%, “que compara com o aumento teórico de 6,1% que se registaria se os preços de base dos produtos se tivessem mantido constantes”. Alguns bens alimentares, refere ainda o INE, dando o exemplo dos óleos, passaram de uma taxa de IVA nula para 13%. “De acordo com estes cálculos, é possível concluir que o preço de base dos preços destes produtos terá diminuído ligeiramente”.
Os restantes produtos incluídos na classe dos bens alimentares e bebidas não alcoólicas que não tiveram alterações das taxas de IVA registaram uma variação mensal de 1,1%. Já a variação mensal do IPC excluindo os bens alimentares abrangidos pela medida foi -0,6%.
Noutra nota, o INE explica ainda que devido aos fortes aumentos de preços de 2022, em 2023 em alguns produtos verificaram-se taxas de variação em quebra acentuada devido ao efeito de base. O INE prevê que isso volte a acontecer em 2024. “A evolução dos preços durante o ano de 2023 também terá um efeito sobre as variações homólogas do IPC de 2024, em particular devido à isenção de IVA em diversos bens alimentares essenciais que esteve em vigor entre Maio e Dezembro. Deste modo, a análise do comportamento dos preços ao longo de 2024, incluindo o efeito da reposição do IVA, e em particular das taxas de variação homóloga, deve ter em conta o impacto daqueles efeitos”, refere o INE.
Rendas aumentaram 5,9%
Segundo o mesmo destaque, a variação homóloga das rendas de habitação por metro quadrado foi de 5,9% em Janeiro. Tinha ficado nos 5,1% no mês anterior. Em todas as regiões houve aumentos, com destaque para o Norte e Lisboa, que registaram subidas dos preços de 6,1%.
O valor médio das rendas de habitação por metro quadrado registou uma variação mensal de 1,4%.»