Monday, March 25, 2024

Em 2023, dois em cada três novos créditos pediram menos de 80% do valor da casa


«Mais de dois em cada três créditos à habitação (68%) que foram feitos em 2023 tiveram associado um rácio entre financiamento e valor da casa igual ou inferior a 80%, embora a recomendação do Banco de Portugal permita ir até aos 90%.

Esta é uma das conclusões do relatório anual que o Banco de Portugal divulgou esta segunda-feira [25-Mar-2024] e que faz o acompanhamento da chamada “medida macroprudencial” que foi lançada em meados de 2018: em 2023, 68% das novas operações tiveram um rácio LTV (loan to value) igual ou inferior a 80%, uma proporção que é muito superior aos 54% do ano anterior (2022).

O aumento deve ser visto à luz do facto de, em 2023, ter havido um maior número de novos créditos que são, na realidade, transferências de créditos que já existiam noutros bancos mas de onde os clientes transferiram o crédito para outro banco. Porém, o Banco de Portugal não divulga dados que permitam fazer uma desagregação dos dois fenómenos (transferências e verdadeiros novos créditos).

Menos de um terço (32%) foi concedido a clientes que precisaram de pedir entre 80% e 90% do valor da avaliação, ou seja, aproximaram-se mais do máximo que os bancos podem (ou devem, já que se trata de uma “recomendação”) financiar. Uma minoria (0,2%) supera os 90%, algo que os bancos podem fazer em alguns cenários de excepção.

Esta repartição contrasta com aquilo que existia em 2018, antes da entrada em vigor da medida macroprudencial: só 55 do crédito tinha LTV até 80%, 24% estava entre 80% e 90% e 18% estava entre os 90% e os 100% do valor da casa. Havia, até, uma percentagem de 2% dos créditos onde se superava os 100% de LTV – um cenário geral que o Banco de Portugal quis contrariar.

 


A subida da proporção de novos créditos com LTV menor “reflecte a aplicação de condições de crédito mais restritivas devido a taxas de juro mais elevadas, que podem levar a uma redução dos montantes de crédito que os mutuários contratualizam”, diz o Banco de Portugal. Quanto menor for o LTV, menor será, tendencialmente, o risco associado àquele crédito, na perspetiva do banco.

De um modo geral, incluindo todo o stock de financiamentos à habitação que existem em Portugal, cerca de 95% tem um LTV também igual ou inferior a 80%.


Devedores com maior risco são cada vez menos

Além de haver mais crédito com um LTV menor, o que significa menos risco, a medida macroprudencial também recomenda limites ao chamado DSTI – o debt service to income, que traduz a percentagem do rendimento familiar que é consumida por créditos. Numa nova operação, é simulado um “choque” adicional que era de 3 pontos percentuais mas que, em Outubro, quando as Euribor estabilizaram, passou a ser de 1,5 pontos percentuais acima do indexante em vigor.

Em 2023, diz o Banco de Portugal, cerca de 91% dos novos contratos de crédito à habitação e ao consumo foram concedidos a mutuários com um rácio DSTI (calculado de acordo com a definição da Recomendação, ou seja, incluindo o choque de taxa de juro) inferior ou igual a 50%” dos rendimentos.

O Banco de Portugal acrescenta que, “entre 2018 e 2021, a proporção dos novos créditos com rácio DSTI acima de 50% foi diminuindo”. Mas “a partir de 2022, em resultado do aumento das taxas de juro, verificou-se um ligeiro aumento da proporção de novos créditos com um rácio DSTI entre 50% e 60% e superior a 60%”. “Essa proporção manteve-se em 2023”, afirma o Banco de Portugal.

Porém, quando se olha para o DSTI efectivo (sem o choque de 3 ou 1,5 pontos percentuais), os dados do Banco de Portugal mostram que o crédito é cada vez mais dado a quem tem rendimentos maiores (em proporção dos financiamentos pedidos).

“Desde 2018, observa-se uma melhoria do perfil de risco dos mutuários que contratam créditos à habitação”, diz o Banco de Portugal. Em particular no ano de 2023, acrescenta o supervisor, “observa-se um claro crescimento da percentagem de créditos à habitação classificados com risco baixo, considerando como tal devedores com rácio DSTI inferior ou igual a 50% e rácio LTV inferior ou igual a 80% (cerca de 61%), comparativamente com os períodos antecedentes”.»

 


Em 2023, a taxa de poupança das famílias manteve-se em 6,3%


«Em 2023, a taxa de poupança das famílias manteve-se em 6,3% do rendimento disponível, divulgou o Instituto Nacional de Estatística (INE). No final do ano passado, por cada 100 euros disponíveis, as famílias portuguesas pouparam cerca de 6,7 euros.

A taxa de poupança das famílias manteve-se em 6,3% no quarto trimestre (T4), reflectindo crescimentos idênticos (1,3%) do rendimento disponível e da despesa de consumo final. Para a evolução do rendimento disponível contribuíram essencialmente as remunerações, com um crescimento de 2,5% face ao trimestre anterior e de 10,7% em termos anuais. Em termos reais, o rendimento disponível ajustado ‘per capita’ das famílias aumentou 0,3% e 1,1%, relativamente ao trimestre anterior e a 2022, respectivamente.

Trata-se de um valor distante das taxas de poupança de 11,9% e 10,6% atingidas nos anos em que a pandemia limitou os consumos das famílias (2020 e 2021, respectivamente), mas também inferior à taxa de 7,2% do período pré-pandemia (2019).»

 

Friday, March 15, 2024

Em 2023, mais de um quinto (20,8%) da população portuguesa não tinha capacidade financeira para manter a sua casa quente


«Mais de 20% da população vivia, em 2023, em agregados em que não existia capacidade financeira para manter o alojamento confortavelmente quente, mais 3,3 pontos percentuais do que no ano anterior, segundo dados do INE divulgados esta sexta-feira [15-Mar-2024].

De acordo com o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR), cujos resultados foram publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), no ano passado, 20,8% da população vivia sem capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida.

Segundo o INE, Portugal era, em 2022, um dos cinco países da União Europeia em que esta incapacidade era mais elevada, com 17,5%, quase o dobro da média europeia de 9,3%.

A percentagem da população em risco de pobreza sem capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida (37,3%) representava mais do dobro da restante população (17,4%), e afectava, em especial, os idosos (28,5% para o grupo etário com 65 e mais anos).

“A situação em termos de conforto térmico é ainda mais acentuada, se atendermos a que, à proporção dos que se encontravam em situação térmica precária por motivos financeiros, acrescem 21,6% que referem viver numa situação em que o alojamento não é suficientemente quente no Inverno por outros motivos, e que 38,3% vivem em alojamentos que não são adequadamente frescos no Verão”, observou a autoridade estatística.

No ano passado, 26,6% da população vivia em alojamentos em que não era utilizado qualquer tipo de aquecimento em casa, proporção que era muito mais elevada nas Regiões Autónomas (86% na Madeira e 72,6% nos Açores) do que no Continente (24%).

A proporção de pessoas que viviam em alojamentos em que não era utilizado qualquer tipo de aquecimento em casa era mais elevada em situações de pobreza, com 39,7% das pessoas daquele grupo a referir não utilizar aquecimento em casa, o que compara com 23,9% da restante população.

Dos 73,1% que referiram utilizar aquecimento, o sistema mais utilizado foi o aquecimento fixo não central (33,5%) e a principal fonte de energia utilizada foi a electricidade (48,5%), seguida da lenha (36,1%).

Relativamente ao tipo de vidro nas janelas, cerca de metade da população referiu ter vidros duplos, 40,9% vidros simples e 7,1% um misto de vidros simples e duplos/triplos

Thursday, March 14, 2024

Larga maioria dos portugueses, 83%, apoia pertença do país à NATO


«Um total de 83% dos portugueses apoiam que o país pertença à NATO, mostra o relatório anual publicado esta quinta-feira [14-Mar-2024] pela aliança transatlântica. Segundo o mesmo documento, no caso de um referendo, aquela percentagem de cidadãos votaria “sim” à permanência na organização militar. Apenas 7% dos inquiridos na sondagem votariam pela saída de Portugal da NATO, enquanto 10% responderam que não sabem o que fariam.

Além disso, 74% dos inquiridos portugueses consideram que a NATO mantém o país mais seguro, tornando a possibilidade de um ataque estrangeiro menos provável. Por sua vez, 7% acreditam que a aliança transatlântica não traz segurança ao país, enquanto 19% não souberam responderam à questão.»

 

Antes de continuarmos a ler e a propósito destes 7% que prefeririam sair da NATO, vale a pena somar as percentagens de votos obtidas pelo PCP e pelo BE nas últimas Legislativas (10-Mar-2024):

 


Somando as percentagens obtidas pelos dois partidos, temos 4,46% + 3,30% = 7,76%. Bate certo!


«Em relação aos 31 restantes Estados-membros, Portugal é o quinto em que a população mostra mais apoio à NATO. O país que mais confiança na organização militar é a Albânia, seguido da Lituânia, da Noruega e da Polónia.

No extremo oposto, apenas 46% dos montenegrinos votariam a favor da pertença ao país na NATO, enquanto 33% votariam contra. Além do Montenegro, a Eslovénia, os Estados Unidos da América (país fundador da aliança), França e Grécia são os países que menos confiam na organização militar.

Em termos globais, em 2023, cerca de 50% dos cidadãos dos 32 Estados-membros sentem-se seguros no seu país, enquanto 35% apontam que não sentem segurança. Cerca de 63% dos inquiridos de todos os países indicaram que a invasão da Rússia pela Ucrânia aumentou os riscos de segurança no seu país.

No que concerne ao apoio à Ucrânia, 30% dos inquiridos “concordam totalmente” e 33% “concordam” com o envio de apoio militar a Kiev. Um total de 15% discordam ligeiramente com o envio de auxílio e 13% discordam totalmente.»


Eu gostava de saber  o que é que estes 28% que não concordam (15% + 13%) com o envio de apoio militar para a Ucrânia propõem em alternativa... se é que propõem alguma coisa!